photo

” Tudo bem, até pode ser que os dragões sejam moinhos de vento… “

” Tudo bem, até pode ser que os dragões sejam moinhos de vento… “

photo

“E quando ouvir alguém falar no meu nome, eu te juro que pode acreditar nos rumores.”
Foto: Iemai

“E quando ouvir alguém falar no meu nome, eu te juro que pode acreditar nos rumores.”

Foto: Iemai

photos

photos

15 anos!

(Source: menina-bordada-de-flor)

photos

À prova de quedas. É assim que deve ser meu celular, meus óculos, o chaveiro que ganhei de presente, o copo d’água que em um piscar de olhos deixa de estar em minha mão e…  Já era. Depois de crescer, ou ficar mais velha, ouvindo aquela historinha do ‘você é desastrada demais, menina!’, me atentei de que o que deve mesmo ser a prova de quedas é o meu coração.

Solto, ele voa longe. Quando me distraio, não existem cordas que me prendam, feridas que me doam, cicatrizes que me paralisem. Eu o deixo livre. Eu me deixo livre. Ou deixava. Hoje conheço uma palavra que consegue frear, estancar e até segurá-lo: trauma. Aprendi com as decepções e com a doce loucura de me entregar. Aprendi com as histórias vividas pelas almas amigas e divididas entre conversas de bar ou brigadeiro. Aprendi que a verdade mesmo é que vivemos à espera de. À espera de se formar, à espera do trabalho dos sonhos, à espera de começar de novo, à espera de que dessa vez dê certo (somos tão parecidos!), à espera da época preferida do ano, de um encontro, de um reencontro… E quando a espera não compensa, criamos um bloqueio e a sensação de que nunca mais devemos esperar por. Traumatizamos. Berramos aos quatro cantos, nos isolamos ou nos exportamos, pensamos em desistir. Mas só pensamos. Logo passa a vontade de desistir, acredite menina.

Aliás, volte a acreditar. Escapar de decepções e traumas, não se iluda, só mesmo vivendo-os. Engolindo-os. Digerindo-os até a última porção. Mesmo que lhe causem feridas no estômago ou cicatrizes na alma. Para gastrites, existem antiácidos. Para cicatrizes, tempo. Até que chega o momento que elas nem paralisam mais. Porque ainda não inventaram celulares, chaveiros ou óculos inquebráveis mas, existem sim pessoas, sentimentos e ligações que não se rompem. E principalmente, porque existem corações que, mesmo despedaçados, são à prova de quedas. 

Despedida.

 Perdidos, tímidos e caminhando trôpegos em direção  ao desconhecido. Foi assim que nos encontramos e  é assim que chegamos aqui. Prontos para despedir,  lágrimas acumuladas, sorrisos festivos de quem diz:  Conseguimos!

 Conseguimos. Essa é a maior verdade desse  momento. O sonho de uns e o acaso de outros…  Não importa. Hoje, o jornalismo se tornou parte da nossa vida. E para isso, trouxe vocês para a minha vida.

A saudade vai estalar o coração. A cada manhã que trouxer as lembranças das salas de aulas sempre cheias de risadas, histórias e muitos… Muitos aprendizados. A cada tarde que vier junto com a nostalgia das reuniões de trabalhos e discussões infindáveis. A cada noite que estiver acompanhada do gostinho daqueles tantos momentos que dividimos juntos.

 Acredito que o maior grito da saudade, porém, será  quando chegarem os finais de semana. Quando  surgirem os recessos da correria do cotidiano dessa  loucura chamada jornalismo que nós escolhemos. Aí  sim, nesses momentos, ouviremos o grito da  saudade ainda mais alto. Gritando cada música que  cantamos juntos, cada risada que compartilhamos,  cada dificuldade que superamos, cada plano que traçamos, cada objetivo que conquistamos. Porque foram tantos! Porque foram divididos. Porque foram vividos com a pureza que só os que se entregam de verdade são capazes de conhecer.


É sim. A saudade já estala o coração. Pela sensação de querer prolongar mais o mínimo que seja esse fio invisível que nos liga. Pelo medo de perder. De perder-se. Sim, por quê não? Perdidos, tímidos e caminhando trôpegos em direção ao desconhecido. É assim que seguimos… Para o mundo. Porque já não existe mais timidez entre nós. O caminhar trôpego revela algum nível alcoólico no sangue e o desconhecido? Ah, o desconhecido é muito mais fácil quando vamos de mãos dadas.


Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.” (Carlos Drummond de Andrade)

Sobre a fé. Sobre o amor.

A gente se desespera. Sente medo, se sente impotente. Mas depois que a gente ergue a cabeça e encara as coisas (sejam elas quais forem) de peito aberto, a gente enxerga tanta coisa! 

Não tem nada mais nessa vida que não seja o amor, minha gente! Nossas ligações com quem estimamos, nossa fé, nossa força… Tudo vem do amor! Amor de quem é de verdade com a gente, amor pelo que é maior que a gente, amor pela continuação… 

Porque a estrada pode até trazer obstáculos, mas ela também nos dá espaço suficiente pra levarmos conosco todos aqueles que são verdadeiramente importantes. 

quote

"E não penseis senão em uma coisa: o bem que podes fazer."
photo

O mar e ele
Essa não é uma estória triste, mas é uma estória de lágrimas. Há muito tempo ela não chorava e quando se viu trancada no escuro e sentiu aquele conhecido aperto no peito se deparou com essa realidade. Há muito ela não chorava.
A moça se trancou no escuro. No escuro de fora. No escuro de dentro. E foi ali, planejando uma de suas estórias de sorriso, mar e amor que ela chorou. Há muito ela não chorava. Mas naquele momento sentiu uma enorme saudade do mar, dele, e de tudo que não viveram, mas que ela sabia descrever com absoluta convicção e verdade. Era tão palpável ali no escuro. Era como se tivessem, de fato, vivido. Era como se tudo aquilo fizesse parte das lembranças e não dos planos.
A moça sempre achou que as lembranças lhe pareciam diferentes. Para ela, as lembranças desfiguravam com o tempo, perdiam contornos, detalhes. A impressão que tinha é de que as pessoas não acreditavam quando ela dizia já ter lido, assistido ou vivido. Parecia que sua memória lhe pregava peças, o que tantas vezes lhe protegia, é bem verdade. Mas também lhe fazia se perder na imensidão que sentia ter por dentro. Às vezes, a moça imaginava que carregava um vazio tão grande que as lembranças se perdiam lá dentro. Outras vezes entendia que se tratava da bagunça que trazia dentro de si e que engolia tantas coisas, fazendo-lhe parecer uma desmemoriada.
Bagunça ou vazio, ali estava ela misturando passado e futuro sem lembrar de que: nem um, nem outro. Era mesmo o presente que estava ali. No escuro. Sem ele. Sem o mar. A moça sabia que nenhum dos dois lhe pertenciam. Isso não lhe fizera chorar. Há muito tempo ela não chorava. E hoje a menina chorou. Porque para o mar, ela poderia voltar. E voltaria! Para ele, não.
Mas essa não é uma estória triste. Essa é uma estória de lágrimas. 
Mariana Lacerda.

O mar e ele

Essa não é uma estória triste, mas é uma estória de lágrimas. Há muito tempo ela não chorava e quando se viu trancada no escuro e sentiu aquele conhecido aperto no peito se deparou com essa realidade. Há muito ela não chorava.

A moça se trancou no escuro. No escuro de fora. No escuro de dentro. E foi ali, planejando uma de suas estórias de sorriso, mar e amor que ela chorou. Há muito ela não chorava. Mas naquele momento sentiu uma enorme saudade do mar, dele, e de tudo que não viveram, mas que ela sabia descrever com absoluta convicção e verdade. Era tão palpável ali no escuro. Era como se tivessem, de fato, vivido. Era como se tudo aquilo fizesse parte das lembranças e não dos planos.

A moça sempre achou que as lembranças lhe pareciam diferentes. Para ela, as lembranças desfiguravam com o tempo, perdiam contornos, detalhes. A impressão que tinha é de que as pessoas não acreditavam quando ela dizia já ter lido, assistido ou vivido. Parecia que sua memória lhe pregava peças, o que tantas vezes lhe protegia, é bem verdade. Mas também lhe fazia se perder na imensidão que sentia ter por dentro. Às vezes, a moça imaginava que carregava um vazio tão grande que as lembranças se perdiam lá dentro. Outras vezes entendia que se tratava da bagunça que trazia dentro de si e que engolia tantas coisas, fazendo-lhe parecer uma desmemoriada.

Bagunça ou vazio, ali estava ela misturando passado e futuro sem lembrar de que: nem um, nem outro. Era mesmo o presente que estava ali. No escuro. Sem ele. Sem o mar. A moça sabia que nenhum dos dois lhe pertenciam. Isso não lhe fizera chorar. Há muito tempo ela não chorava. E hoje a menina chorou. Porque para o mar, ela poderia voltar. E voltaria! Para ele, não.

Mas essa não é uma estória triste. Essa é uma estória de lágrimas. 

Mariana Lacerda.